Mulheres Não São Maioria entre Gamers!

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Por Quem?
Você vai ouvir muito que as mulheres são a maioria dos gamers no Brasil nas próximas semanas. Será que são?

A manipulação neste campo - que não é político, mas tem sido politizado ao extremo por aquela mesma galera de sempre - usa uma estratégia muito comum: a mistura aleatória de termos e dados e imagens com sentido ora restrito, ora estendido.

Mulheres são a maioria dos que jogam algum jogo eletrônico, mas não são a maioria dos "gamers" no sentido mais apropriado e usual da palavra.

Gamers que se preocupam com jogos modernos, de jogabilidade difícil, que precisam de computadores que exijam grande capacidade de processamento (não por acaso conhecidos como "computadores gamers") ou de consoles específicos seguem sendo homens em sua imensa maioria.

Mulheres são a maioria quando se amplia o significado de "gamer" para incluir aquelas pessoas que passam a viagem do metrô brincando de juntar frutinhas pra explodi-las com o dedo e ganhar doces coloridíssimos no smartphone.

A mistura entre os conceitos está presente na maioria das matérias publicadas nos últimos dias, em função da divulgação da Pesquisa Game Brasil 2019.
Portais diversos destacam o fato de que mulheres são a maioria e colocam duas gurias com controles de PS4 nas mãos.

Não seria mais informativo e honesto colocar uma moça com um Samsung J8?
Na PGB19 não foi apresentado este recorte (pelo menos não na versão de divulgação da pesquisa), mas uma pesquisa feita pelo Quantic Foundry ano passado revelou que mulheres são 69% das pessoas que jogam joguinhos de explodir diamantes brilhantes ou de coletar moedas plantadas em fazendas virtuais... aqueles que podem ser jogados em qualquer celular ou notebook equipado com AMD Atom.

Já os homens eram 98% dos jogadores de jogos que simulam partidas de futebol, 96% dos jogadores de jogos de tiro, 97% dos jogadores de jogos de corrida, 90% dos jogadores de arena de batalha multiplayer... aqueles que precisam de computadores ou consoles potentes.

Outros estudos também do Quantic Foundry revelam que as motivações e experiências femininas e masculinas com jogos eletrônicos são distintas.

Claro que este é um padrão, e que existem exceções e intersecções neste universo. Há meninas que jogam preferencialmente jogos de tiro pesados, há homens que quando jogam alguma coisa são jogos bobinhos no celular (eu 🙋‍♂️). Existem versões mais pesadas de jogos geralmente simples, versões mais simples de jogos geralmente pesados.

De qualquer modo, por que confundir a informação? Por que não deixar claro que a tal maioria feminina se concentra em jogos que não são naturalmente considerados como pertencentes ao universo "gamer" num sentido mais estrito?
Por que os jornais preferem ilustrar meninas disputando partidas daqueles tipos de games em que elas são apenas 2% dos jogadores em vez de jogos em que elas são 70%?

A discussão parece bobinha, e pode ser realmente mais inofensiva que outras formas de manipulação da informação, mas - mesmo não pertencendo ao universo gamer - percebo que esta distorção está na base de muita problematização besta sobre a baixa participação de mulheres em e-sports, do tipo: "Mulheres são maioria dos gamers, mas ainda são minoria nos e-sports. Especialistas veem discriminação".

Deem uma olha nas fontes abaixo, e comentem:
https://quanticfoundry.com/2018/08/01/casual-hardcore/
https://drive.google.com/file/d/1I0F0AC2lG8x8kbxuuPaQJhU4v_k9Szpn/view
https://quanticfoundry.com/2017/01/19/female-gamers-by-genre/

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